Sábado, 26 de abril de 2008, 08h43
Enquanto países desenvolvidos estão fechando o cerco para imigrantes ilegais, programas para atração de profissionais com alta qualificação se consolidam sobretudo nos de língua inglesa como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Austrália e o Canadá.
Por um lado, os três primeiros dessa lista barraram nas fronteiras ou deportaram um total de 1,3 milhão de \\"indesejáveis\\" em 2006. Por outro, deram boas-vindas, por meio de programas especiais, para cerca de 155 mil imigrantes qualificados no mesmo ano.
A maior parte dos expulsos (1,2 milhão de pessoas) saiu dos Estados Unidos. O país, no entanto, concedeu visto de trabalho a 37 mil profissionais qualificados pelo sistema Priority Workers (ou EB1), que não exige oferta prévia de emprego.
Também em 2006 (dados mais recentes disponíveis), a Grã-Bretanha devolveu 97 mil pessoas e abriu as portas cerca de 20 mil imigrantes altamente qualificados por meio de um programa especial que foi reformulado neste ano.
Para a especialista em imigração Jeanne Batalova, do Migration Policy Institute, nos Estados Unidos, os países desenvolvidos estimulam a imigração de alto nível para satisfazer a demanda de suas economias e para não ficar para trás na corrida por talentos que acontece em nível global.
\\"O principal desafio para Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos e outros países que recebem imigrantes é se certificar de que os estrangeiros irão se integrar aos mercados de trabalho nacionais e que seus talentos não serão disperdiçados pelos empregadores\\", disse Batalova à BBC Brasil.
Pontos
A nova versão do programa britânico segue os moldes do programa australiano.
O sistema divide os imigrantes em cinco categorias e exige que eles atinjam uma determinada pontuação, baseada em suas habilidades e potenciais benefícios para a economia do país.
Cada governo estipula uma soma mínima que o imigrante em potencial deve atingir em diversos critérios como renda no país de origem, domínio da língua, experiência e qualificação profissional. Caso consiga atingir o patamar mínimo, o governo permite a estada do imigrante por um período determinado, que pode ser renovado.
Após receber 98 mil imigrantes em 2006, a Austrália abriu, para o período de 2007/ 2008, 152,8 mil vagas para o General Skilled Migration Programme (GSM, na sigla em inglês).
Lucas Ramos recebeu o visto General Skilled Migration depois de sua formatura na Austrália.
Em 2006, dados do governo australiano indicam que dos 714 brasileiros que fizeram pedido de visto para o país, 320 pediram através do GSM. O governo não informou quantos foram aprovados.
O contador brasileiro Lucas Ramos, de 24 anos, está no país por meio do programa. Ele disse à BBC Brasil que a principal dificuldade para se conseguir o GSM é a burocracia. \\"A quantidade de documentos e formulários a serem preenchidos é enorme. São necessários vários papéis, inclusive emitidos no Brasil\\", afirmou.
No Canadá, as portas também estão abertas para quem pretende imigrar e tem boa qualificação profissional e acadêmica. Em 2006, 105,9 mil imigrantes qualificados foram aprovados pelo programa de pontuação canadense.
Mesmo nos EUA, onde as políticas migratórias se tornaram mais restritivas desde os atentados de 11 setembro, o número de imigrantes qualificados é expressivo. Dados do Censo de 2000 indicam que um em cada cinco médicos no país é estrangeiro, um em cada cinco especialistas em computação, um em cada seis engenheiros e um em cada quatro astrônomos, físicos e químicos.
O governo americano se ajustou às mudanças no padrão de imigrantes no país e estabeleceu regras para os imigrantes qualificados por meio do programa
Employment Based Immigration.
Para garantir a eficácia dos programas para receber imigrantes qualificados, cada país molda o sistema de acordo com as características do mercado de trabalho nacional.
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